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Cannes Lions. The Good, the Bad and the Robot. Viva las Cannes!

Dinheiro Vivo, 29-06-2015

Hugo Filipe Pinto esteve no Cannes Lions. Foi uma semana onde deu para tudo: para ver Pharrell, robots à Total Recall e até Chefs a partilhar as suas experiências com uma plateia de criativos de todo o mundo.

Durante uma semana, o epicentro do mundo criativo convergiu em Cannes e o fundador da agência Ray Gun conta como tudo foi.

“Bon Jour, c”est pour le Palais” ou como se diz em bom português, “vamos lá que estou com pressa”. E quando se fala dos Cannes Lions, é preciso ter pressa. Até porque desta vez temos andróides. São tantos os seminários, os trabalhos e os convites, que é de ficar zonzo. Basta olhar para os convidados que não são da indústria: Marilyn Manson, Pharrell Williams, Julia Louis-Dreyfus, Kim Kardashian e os seus dois rabos, Jamie Oliver e Heston Blumenthal. Por isso, nada como fazer como o Freddy Krueger e irmos por partes. Está bem? Aqui vai.

Cannes 2015 em 5 partes:

1 – TheGood. Os convidados, bons e inspiradores. Pharrell e Jamie Oliver falaram e falaram bem, sobre como criar uma marca e manter-se fiel à mesma, sendo criativo e direcionado ao seu público. Mas Heston Bumenthal no último dia acertou em cheio.

Para ele, a concepção humana de perfeição mata a criatividade (o que é quase estranho vindo dele), a nossa cultura de sucesso/falhanço leva-nos a arriscar menos (Jamie Oliver também o disse e não podem estar ambos errados) e devemos questionar sempre tudo. Nada mal, vamos lá pôr isso em prática.

2 – The Bad. Cannes foi atípico este ano. Até porque, infelizmente, faleceram duas pessoas. Um executivo da Google enquanto viajava de táxi (estes franceses são loucos a conduzir!) e um jornalista alemão durante uma conferência. (a Google Beach, na foto, fechou logo a seguir).

3 – The Ugly. Conferência essa dada por Amir Kassaei, Chief Creative Officer da DDB worldwide, um iraniano que se saiu com esta: “Cerca de 90% dos trabalhos que vimos aqui esta semana e que foram feitos para ONG não foram feitos para ajudar aquelas pessoas. Foram feitos por alguém que quis ter uma grande ideia para enviar a um conjunto de 25 “shitheads”. E se há alguma verdade no que diz, é também um discurso feito para provocar e chamar para si as atenções. Essas generalizações são perigosas para a qualidade do trabalho, sobretudo para mercados como o nosso, até por causa do eco que tem, pois “sabe bem” escrever sobre estas coisas.

4 – The “mucho” Good. Festas. Não vamos pensar de forma fútil. Estas festas são de longe a melhor forma de fazer contatos, e tenho vários exemplos. Dito isto, posso adiantar que os latinos dão grandes festas, que recomendo vivamente festas em iates e que, se para o ano tiverem de esperar para entrar na da VICE, vale a pena. Está toda a gente lá.

5 – The very good work. Deixo o melhor para o fim.Vi coisas muito boas – gosto imenso da “Nivea Doll” e de “Guns with History”- mas foi sobretudo nas categorias tradicionais (outdoor, imprensa e filme, ou como diria o presidente do júri, a categoria mais velha e mais nova do festival) que vi as melhores. Se quiserem saber do que falo, basta verem: World Gallery” da Apple ou The Ocean para a Conservation International ou 100 da Leica Gallery São Paulo E muitos outros… vale a pena olhar para os vencedores sobretudo em Film e Film Craft.

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